O pedido de recuperação judicial (RJ) do Grupo Trebeschi, um dos principais produtores de tomate do Brasil, gera incertezas sobre os próximos passos da empresa, inclusive no Ceará, onde a companhia mantém uma unidade em Ubajara, na Serra da Ibiapaba, com cerca de 400 empregos na cadeia produtiva do fruto.

Apesar de a recuperação judicial poder ser revertida e não haver informações oficiais sobre possibilidades de fechamento da unidade no Ceará, especialistas apontam impactos negativos caso o cenário se agrave.

Para se ter ideia, a unidade é responsável por mais de 10% dos empregos formais em Ubajara, de acordo com dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged). Além disso, uma eventual redução ou paralisação da produção poderia pressionar os preços do produto no Estado.

O quilograma do tomate, que em março de 2026 registrou alta de quase 22% na comparação com o mesmo período do ano passado, pode ter os preços ainda mais elevados. É o que explica João Mário de França, pesquisador do FGV Ibre e professor da Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Ceará (UFC).

O especialista observa que, caso a recuperação judicial, enquanto instrumento para salvar a Trebeschi da crise, seja insuficiente e a empresa tenha de reduzir ou encerrar as atividades, o impacto no preço do tomate será inevitável.

O sócio-fundador e CEO da companhia, Édson Trebeschi, garantiu que não há risco de desabastecimento, seja de tomates ou de demais produtos da empresa, aos clientes.

“A RJ é necessária neste momento para proteger a operação, preservar os empregos, honrar compromissos e dar ao grupo a oportunidade de reorganizar sua estrutura financeira e seguir produzindo”, disse ao Valor Econômico.

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