A fabricante de brinquedos Estrela protocolou seu plano de recuperação judicial na 1ª Vara Cível da Comarca de Três Pontas, em Minas Gerais. O projeto para reestruturar um passivo de R$ 109.178.016,38 foi enviado à Justiça em 14 de agosto. Em maio deste ano, a marca informou ao mercado sobre a reestruturação. Dentre os motivos apresentados pelo grupo estão mudanças no consumo infantil, pressionado cada vez mais por plataformas digitais e jogos online, além de juros elevados e crédito mais restrito.

A fabricante criou brinquedos tradicionais no imaginário brasileiro, como o jogo de tabuleiro Banco Imobiliário, lançado em 1944, além da Suzi, resposta brasileira à boneca americana Barbie, e o jogo Detetive, que transformou crianças em investigadores improvisados obcecados em descobrir “quem matou”, “com qual arma” e “em qual lugar”. As bonequinhas “Fofolete” vinham em pequenas caixas de fósforo.

Apesar do plano de recuperação judicial, a Estrela continua em operações. A reestruturação é utilizada justamente para impedir que companhias entrem em falência, mantenham suas atividades e renegociem dívidas com credores. Em meio às dificuldades financeiras, a fabricante de brinquedos deixou de publicar balanços trimestrais desde março de 2025.

Fundada em 1937, a Estrela atravessou décadas como uma das marcas mais conhecidas da indústria nacional de brinquedos e ajudou a moldar o imaginário infantil de diferentes gerações de brasileiros. A empresa começou como uma pequena fábrica de bonecas de pano e carrinhos de madeira e se transformou, ao longo do século 20, em um dos maiores símbolos do setor no país. Foi também uma das primeiras companhias brasileiras a abrir capital, em 1944.

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