O tradicional Colégio Cruzeiro, uma das instituições de ensino particulares mais conhecidas do Rio de Janeiro, anunciou que aumentará suas mensalidades em 14,9% em 2027, atribuindo parte do reajuste ao fim da escala 6×1, uma das principais bandeiras defendidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aprovada entre o primeiro e o segundo turno das eleições 2026.
A instituição havia previsto inicialmente um aumento de 9,5%, mas decidiu recalcular o percentual depois da aprovação da nova escala 5×2, que estabelece dois dias de descanso semanal remunerado e reduz gradualmente a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas, sem redução salarial.
O novo reajuste representa um acréscimo de 5,4 pontos porcentuais em relação à previsão original. Na prática, o aumento anunciado ficou aproximadamente 57% maior do que o inicialmente planejado.
A informação foi divulgada nesta terça-feira, 3, pelo jornalista Ancelmo Gois, do jornal O Globo. Segundo a publicação, a decisão não foi bem recebida pelos pais dos alunos, que terão de arcar com uma elevação significativa dos custos escolares no próximo ano.
Fundado em 1862 pela comunidade alemã do Rio de Janeiro, o Colégio Cruzeiro é uma das instituições educacionais mais tradicionais da capital fluminense.
De acordo com as informações divulgadas, a direção justificou a revisão pela necessidade de adequar suas despesas às novas exigências legais decorrentes da reforma da jornada de trabalho.
O caso representa um exemplo concreto de um problema que entidades empresariais vinham apontando durante a discussão sobre o fim da escala 6×1: a redução da jornada sem diminuição dos salários pode aumentar os custos de contratação e funcionamento das empresas, pressionando os preços cobrados dos consumidores.
No caso das escolas particulares, o efeito recai diretamente sobre as famílias que pagam pela educação dos filhos.
Em agosto, um estudo encomendado pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen) já alertava que a mudança poderia provocar aumentos expressivos nas mensalidades das escolas particulares.
Segundo o levantamento, o impacto específico da nova jornada poderia exigir reajustes adicionais de 8% a 11% nas mensalidades.
Somados aos aumentos anuais normalmente praticados pelas instituições, estimados entre 9% e 12%, os reajustes poderiam alcançar 23%.
O estudo também projetou que entre 450 mil e 720 mil alunos poderiam deixar as escolas particulares e migrar para a rede pública em razão do aumento dos custos educacionais.
No cenário central apresentado pela entidade, o impacto adicional sobre a folha de pagamento das instituições privadas chegaria a R$ 17,3 bilhões anuais.
Em um cenário mais severo, envolvendo jornadas menores e alterações mais amplas na remuneração dos professores, o custo adicional poderia alcançar R$ 31,6 bilhões por ano.
Essas projeções não representam aumentos já confirmados para todo o setor. São estimativas elaboradas a partir de diferentes hipóteses sobre a aplicação da nova legislação, incluindo a regulamentação do descanso semanal remunerado.







