O Senado do Chile aprovou na última segunda-feira (22) uma acusação constitucional contra Diego Simpertigue, ministro da Suprema Corte do país, sob a alegação de grave negligência no exercício da função. A medida equivale, na prática, à destituição do magistrado do cargo. Este é o terceiro caso de destituição de um juiz da Suprema Corte chilena em 14 meses. Simpertigue foi acusado de manter relação imprópria com advogados do consórcio Belaz Movitec, grupo de origem chileno-bielorrussa envolvido em disputas judiciais bilionárias com a estatal de mineração Codelco. O escândalo ficou conhecido no país como “Complô Bielorrusso”.
De acordo com a imprensa chilena, Simpertigue votou duas vezes a favor do consórcio durante o litígio que a empresa manteve com a Codelco, entre 2023 e 2024, e cujas decisões da Suprema Corte chilena obrigaram a empresa estatal a desembolsar mais de 17 bilhões de dólares (R$ 93 bilhões) em favor do Belaz Movitec.
No entanto, apenas dois dias após a Codelco concluir os pagamentos ao consórcio, o magistrado realizou um cruzeiro de dez dias pela Europa ao lado de Eduardo Lagos, um dos advogados do Belaz Movitec, que atualmente está preso. A esposa do ministro da Corte chilena também participou da viagem.
OUTRAS DESTITUIÇÕES NO CHILE
Além de Simpertigue, outros dois ministros da Suprema Corte chilena ao longo dos últimos 14 meses: Ángela Vivanco e Sergio Muñoz. No caso de Vivanco, destituída em outubro de 2024, ela foi acusada de negligência no cumprimento do dever em razão de seu relacionamento com o advogado Luis Hermosilla, acusado de crimes fiscais, suborno e lavagem de dinheiro em episódio conhecido como caso Audio.
Já Muñoz, que também foi removido do cargo em outubro do ano passado, foi acusado de notável abandono de seus deveres por antecipar uma decisão que produziria importantes efeitos patrimoniais em relação à sua filha, e por omitir-se de relatar que a filha desempenhou função judicial fora do território jurisdicional.






