O senador Camilo Santana (PT) vai cumprir agenda no sábado (30), em Barbalha. A visita é para anunciar a ordem de serviço para o início das obras do campus da Universidade Federal do Cariri no município.

A obra foi prometida há quase um ano e custará quase R$ 70 milhões, com expectativa de ficar pronta até 2029. Para o anúncio, o petista vai reunir o governador Elmano de Freitas (PT) e os ministros Leonardo Barchini – sucessor de Camilo no Ministério da Educação – e José Guimarães (PT), que assumiu a Secretaria de Relações Institucionais, após ser escanteado pelo PT cearense na disputa por uma vaga no Senado.

Em Barbalha, o anúncio se soma a outras promessas do Governo do Ceará feitas em ano eleitoral, mas que se arrastam sem conclusão.

Uma delas é o Mercado Público de Barbalha, prometido pelo próprio Camilo, em setembro de 2022, vésperas do pleito que elegeu Elmano. O projeto do novo mercado foi apresentado com estacionamento com uma centena de vagas no subsolo, quatro andares e mais de 230 boxes para acomodar os permissionários e incentivar o comércio local.

A obra, orçada em R$ 29 milhões, começou apenas em dezembro de 2023, quando os permissionários tiveram de deixar o prédio antigo para ocuparem um espaço improvisado até a conclusão da obra. Inicialmente, seriam 18 meses de intervenção no Centro da cidade, com entrega prevista para o primeiro semestre de 2025.

Em 2026, três anos após o início das obras, apenas 30% do novo mercado foi concluído. Os permissionários seguem trabalhando de forma improvisada, prejudicando o comércio e a geração de renda.

Privatização

Uma obra entregue que causou desconfiança na população foi o Parque da Cidade, que passou por uma requalificação em 2024 que custou R$ 17 milhões aos cofres públicos estaduais. Um ano depois, o prefeito de Barbalha, Guilherme Saraiva (PT), eleito com o apoio de Camilo e Elmano, cedeu à iniciativa privada a gestão do equipamento, assim como o Balneário do Caldas, o Hotel das Fontes e o Casarão Hotel.

Para moradores, ouvidos pelo O Otimista, a maior promessa não cumprida por Camilo Santana, foi a reativação da Usina Manoel Costa Filho, fechada em 2004. Eram 4 mil empregos diretos e indiretos gerados pela usina de açúcar. Em 2013, o Governo do Ceará, sob o comando de Cid Gomes (PSB), comprou o terreno da usina por R$ 15,4 milhões, com a promessa de investir R$ 36 milhões na reativação do equipamento.

Foram nove anos de promessas de retomada da usina de açúcar para aproveitar o potencial da cidade para o setor. Em 2024, o terreno e a usina foram vendidos como sucata por R$ 2 milhões.

O prejuízo, corrigido pela inflação do período, chega a mais de R$ 29 milhões para os cofres públicos, sem contar os empregos e a receita para Barbalha que não foram gerados. Na promessa de Camilo, seriam 3.700 empregos diretos e indiretos.

Negligência

A estátua de Santo Antônio, entregue em abril de 2022, custou R$ 2,3 milhões e seria um incentivo ao turismo religioso no município. A obra, no entanto, não conta com estrutura para receber os romeiros, como outros complexos religiosos do Ceará. Apenas um calçadão ao redor da imagem.

E, segundo moradores, só recebe festividade na época das comemorações do Pau da Bandeira. Fato similar ocorre com o teleférico, que também carece de outras estruturas para incentivar o turismo.

“É muito bonito, mas passa a maior parte do tempo parado”, afirmou um morador. O equipamento foi construído a poucos metros da propriedade de Camilo Santana na cidade.

A população conta quase 2 mil vagas de emprego fechadas em Barbalha devido à falta de parceria com o Governo do Estado para mobilizar a manutenção das indústrias na cidade. Fecharam fábricas como a Ingra Indústria de Calçados, a Boa Viagem – fábrica de trens que chegou a vender unidades para VLTs a estados do Nordeste – a Itapuí, uma fábrica de cimento, e a IBK, que também atua no setor calçadista, reduziu o seu quadro de funcionários.

Ainda na educação, foi prometido ao povo de Barbalha uma sede própria para o curso de Gestão de Turismo da Universidade Regional do Cariri (Urca).

Mercado público

Em 2022, na reta final da campanha que elegeu Elmano de Freitas (PT), Camilo Santana prometeu entregar um novo mercado público para Barbalha. O projeto foi anunciado com estacionamento no subsolo e quatro andares, além de 230 boxes. As obras, orçadas em quase R$ 30 milhões, só começaram em dezembro de 2023. Hoje, quase três anos depois, ainda estão em 30% de conclusão. Nesse período, os permissionários estão trabalhando em local improvisado, prejudicando a renda e atrapalhando o cotidiano de milhares de pessoas na cidade.

Usina de açúcar

A Usina Manoel Costa Filho fechou as portas em 2004, acabando com quase 4 mil empregos e impactando a economia do município. Em 2013, o Governo do Estado comprou o terreno por R$ 15,4 milhões e prometeu reabrir o parque, gerando 3.700 empregos diretos e indiretos. O investimento para a reabertura seria de R$ 36 milhões, mas nunca foi concretizado. O equipamento foi vendido como sucata em 2024, por R$ 2 milhões. A operação gerou um prejuízo de quase R$ 30 milhões ao Estado, em valores corrigidos pela inflação, sem contar os empregos e as receitas que nunca foram gerados em Barbalha.

Parque da Cidade

O equipamento passou por reforma e modernização em 2024, quando foram investidos R$ 17 milhões de verba pública estadual. Após a requalificação do espaço, a prefeitura da cidade privatizou o espaço, cedendo a administração para a iniciativa privada. A concessão inclui ainda o Balneário do Caldas, o Hotel das Fontes, além do Casarão Hotel.

Santo Antônio

A construção da estátua de Santo Antônio e de um calçadão no entorno, em Barbalha, custou R$ 2,3 milhões aos cofres estaduais. O espaço, diferente de outros projetos semelhantes no Ceará, não conta com um espaço fechado ou outras estruturas para receber e atender os romeiros. Segundo moradores do local, a falta desse espaço inviabiliza a região como ponto turístico e só recebe eventos durante os tradicionais festejos do Pau da Bandeira

Fábricas fechadas

A falta de parceria do Governo do Estado, nas gestões de Camilo Santana e Elmano de Freitas, levou ao fechamento de diversas empresas em Barbalha. Uma das atingidas foi a Ingra (calçados); já a IBK teve uma redução no quadro de funcionários, além da fábrica de cimento Itapuí S.A (antiga Ibacip). Somadas, as perdas do retrocesso industrial no município levaram embora quase 2.000 empregos.

Campus da UFCA

Camilo anunciou, em 2025, quando estava no comando do Minstério da Educação, um novo Campus de Saúde em Barbalha, com ambulatórios e uma UPA de referência para 14 cursos na área. A ordem de serviço será assinada neste sábado (30), quase um ano depois, com expectativa de conclusão em dois ou três anos. A obra está orçada em R$ 70 milhões. Até lá, os alunos de medicina da UFCA em Barbalha seguem com aulas em prédio improvisado, além de diversos problemas estruturais e falta de professores.

Fábrica de VLTs

A Bom Sinal, que chegou a ser referência nacional na fabricação e reforma de composições ferroviárias (VLTs) e supria todo o Nordeste, encerrou suas atividades em Barbalha no dia 28 de novembro de 2022. No auge da produção, a companhia gerava cerca de 1.000 empregos diretos e indiretos na cidade. O fechamento veio após um longo processo de deterioração: acúmulo de dívidas e ações na Justiça culminaram em recuperação judicial, até que as operações foram definitivamente interrompidas. As instalações permanecem inativas.

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