Para adquirir a cesta básica no Brasil, um trabalhador precisa dedicar 105 horas e 51 minutos de trabalho por mês. O cálculo considera uma jornada de oito horas diárias em escala 5×2 e o salário-mínimo líquido de R$ 1.621. Em média, o conjunto alimentício custa R$ 779,95 e consome 52,02% do piso nacional, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) referente às 27 capitais em junho de 2026.
Na cidade de São Paulo, onde foi registrado o valor mais alto do país (R$ 965,47), a exigência sobe para 131 horas e 2 minutos de trabalho, comprometendo 64,39% do salário-mínimo líquido. O custo médio da cesta subiu 8,69% nas capitais nos últimos 12 meses, período em que o grupo Alimentos e Bebidas do IPCA acumulou alta de 3,82%.
Em Fortaleza, o trabalhador precisa dedicar 111 horas e 37 minutos de sua jornada mensal para adquirir a cesta básica, o que coloca a capital cearense na décima posição do ranking nacional. O topo da lista é ocupado por São Paulo, com 131 horas e 2 minutos exigidos, seguida por Cuiabá (127h17m) e Rio de Janeiro (124h59m). Na outra ponta do levantamento entre as 27 capitais, Aracaju registra o menor tempo de trabalho necessário (85h34m), acompanhada por São Luís (88h52m) e Maceió (91h07m).
Diante desses valores, Conab e Dieese estimam que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 8.110,92 – cerca de cinco vezes o valor vigente. O patamar necessário supera o rendimento médio do brasileiro, apurado em R$ 3.726 pela Pnad Contínua do IBGE, deixando a remuneração média quase R$ 4,4 mil abaixo do montante ideal para a manutenção familiar.







