A obra inacabada de uma escola municipal na periferia de Fortaleza tem levado estudantes a um destino diferente todos os dias: a Capela São José, no bairro Olavo Oliveira, que cedeu um espaço para receber as crianças da Escola Municipal Professor Denizard Macedo de Alcântara, no mesmo quarteirão.
O prédio da instituição escolar está em obras “há quase cinco anos”, segundo fonte interna ouvida pelo Diário do Nordeste. “A gestão teve que ‘se virar nos 30’ para arranjar uma alternativa e os alunos terem direito às aulas”, relata.
A situação foi confirmada por representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Fortaleza (Sindiute), que visitaram o local e constataram o improviso de gestores e professores, pelo segundo ano consecutivo, para manter as aulas dos ensinos infantil e fundamental.
A reportagem questionou a Secretaria Municipal de Educação (SME) sobre:
- quantas turmas (com quantos alunos) estão funcionando dentro da Capela São José;
- desde quando estão lá;
- por que esse espaço foi escolhido para este fim;
- que adaptações foram realizadas para formatar salas de aula no espaço;
- há quanto tempo a escola está em reforma e qual a previsão de término.
A princípio, a SME informou que não iria se manifestar. Contudo, após a publicação desta reportagem, a Pasta enviou nota informando que “uma equipe pedagógica e uma gestora educacional acompanham diariamente os alunos das turmas de Educação Infantil e do 1º ano que acontecem na Igreja de São José, que continuará cedendo o espaço até o final das obras na escola”.
Já a Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seinf) destacou que “o projeto de reforma da Escola Denizard Macedo de Alcântara passou por ajustes e está em processo de licitação”.
O Diário do Nordeste esteve no local, na manhã de quarta-feira (11), para conversar com pais e responsáveis de alunos, mas um funcionário da Capela São José informou que, excepcionalmente, as aulas haviam sido canceladas. Uma reunião de fiéis, contudo, estava ocorrendo normalmente.
Na tarde dessa quinta (12), porém, a movimentação de crianças no local retornou. Por volta das 13h, várias delas chegavam fardadas, com mochilas nas costas, e entravam pelo portão lateral da capela, com acesso à quadra poliesportiva da instituição religiosa.
Um dos estudantes é Isaac, 6, que chegou acompanhado pelo pai, o promotor de vendas Francisco de Sousa. Ele afirma que o menino estudava na sede da escola, “mas, de repente, pra começar a reforma, tiraram de lá pra cá”. “Aqui é um puxadinho, né? A sala é boa, mas era melhor que voltasse pra escola. Não dão previsão de nada”, relata.
A falta de comunicação sobre o fim da reforma também é citada pela dona de casa Iara Andrade, cujos netos estudam na Denizard. Um deles, Levi, 7, estudou por um ano dentro da capela, “mas passou de ano” e voltou para a sede. O pequeno conta que “prefere a escola”, porque na sala de aula na capela “batia o sol e fazia calor”.
Já a avó pontua que a família se sente “até mais segura” pelo fato de as crianças estarem em um espaço religioso. “É ótimo, aqui. A sala só é pequena, mas a gente sente até mais segurança porque é na igreja, né?”, reflete a avó.
Gardênia Baima, diretora executiva do Sindiute, afirma que metade da escola está funcionando no prédio principal, mas o restante das turmas recorre à Capela São José para não ficar sem aula.
“As crianças já estão no segundo ano na capela, sem um espaço adequado pra realizar as atividades escolares. É um improviso que virou permanente”, lamenta Baima. O cenário é “inadequado” para as atividades, segundo confirma a fonte interna ouvida pela reportagem.
“O espaço que se tem, que não é adequado, precisou ser adaptado para receber os alunos, que é a capela. São salas muito pequenas, quentíssimas, não têm o mínimo necessário para atender os alunos de forma eficaz”, situa.
A capela recebe cerca de 160 crianças do infantil até o 1º ano do ensino fundamental, em média 80 por turno.
Fonte: DN






