Cerca de 5.280 indústrias e grandes empreendimentos cearenses começaram a pagar 9,61% a mais na conta de energia desde a última quinta-feira (23). O reajuste, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para clientes de alta tensão da Enel, deve pressionar o comércio e chegar ao consumidor final. Para a diretora institucional da Fecomércio Ceará, Cláudia Brilhante, o reajuste impõe um impacto duplo ao comércio cearense.

“De um lado, eleva significativamente os custos operacionais dos estabelecimentos, já que a energia é insumo essencial para praticamente todas as atividades. De outro, reduz o poder de compra das famílias, que têm pouca margem para ajustar o consumo doméstico de energia, pressionando o orçamento e retraindo a demanda”.

Esse cenário ainda se agrava, segundo ela, pelo efeito em cadeia sobre a inflação, “uma vez que a energia elétrica distribuída pela Enel é componente relevante na formação de preços de vários produtos e serviços, o que tende a gerar aumentos sucessivos ao longo da cadeia produtiva”.

A reportagem do Diário do Nordeste também entrou em contato com a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec) para repercutir o impacto do reajuste da energia elétrica, mas não houve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto e a matéria será atualizada caso haja retorno.

O aumento de quase 10% no uso da rede e para as empresas que ainda dependem da Enel gera um efeito inflacionário inevitável.

Setores como o têxtil, de móveis, gráfico e de sorvetes (devido ao uso intensivo de câmaras frias), por exemplo, são alguns dos mais sensíveis a essas variações, o que pode pressionar ainda mais o custo de vida no Ceará.

O presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Wandemberg Almeida, alerta que “a energia é um insumo essencial e não substituível no curto prazo. Assim, isso vai trazer um certo desconforto porque vai fazer uma compressão de margem (de lucro)” para as empresas.

Além disso, ele reforça que o custo operacional acaba sendo transferido para o preço final de produtos e serviços básicos. Assim, “o consumidor é atingido duas vezes, ou seja, tem um efeito duplo”.

“Isso ocorre porque, além do aumento em sua própria residência, o cidadão paga o repasse industrial”, destaca.

Wandemberg comenta ainda que a intensidade desse repasse de custos das indústrias e serviços para os consumidores dependerá do mercado.

“Quanto menor a concorrência e mais essencial for o produto, maior vai ser o repasse para o consumidor final”.

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