Desde o massacre de 7 de outubro do ano anterior, quando o grupo terrorista Hamas matou cerca de 1250 pessoas em Israel e sequestrou outras 250, atos de antissemitismo — que retratam o ódio contra judeus — têm se tornado mais frequentes em diversos países do mundo, como o Brasil. Segundo relatório divulgado em 2024 pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), no primeiro mês do conflito entre Israel e Hamas foi percebido “aumento alarmante de mais de 1000%” na quantidade de atos antissemitas registrados no país. Os dados foram comparados ao mesmo período do ano anterior. A quantidade anual de denúncias, de acordo com a Conib, também cresceu em 2023 e bateu recorde no ano seguinte, com 1.788 registros de atos contra judeus no Brasil.
“Uma perigosa escalada antissemita”, alerta a presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul, Daniela Russowsky Raad, ao citar como exemplo o protesto registrado no último dia 9 de junho, em frente à FIRS.
“A entidade que representa a comunidade judaica gaúcha foi alvo de uma manifestação que escancarou, sem disfarces, o antissemitismo”, lamenta. Segundo ela, o ato teve cartazes exaltando terroristas do Hamas e gritos do slogan “do rio ao mar, Palestina livre já”, que pede destruição de Israel.
“Entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo está o único Estado judeu do mundo”, explica a presidente da entidade, apontando que negar a existência desse Estado legítimo é tirar do povo judeu o direito à autodeterminação, garantido a todos os povos. “E o mesmo se repetiu na semana seguinte, dia 15, quando outra manifestação marchou próximo à FIRS”, continuou a líder gaúcha.
Essa segunda ação próxima à entidade, segundo Daniela, também contou com bandeiras do Hamas e do Hezbollah, exaltando uma “resistência” que prega o terrorismo e quer exterminar o povo judeu. “Nossos avós, que vieram ao Brasil em busca de paz, fugindo das perseguições na Europa, se arrepiam ao ver esses registros.
Influenciadores e políticos têm disseminado mensagens de ódio contra judeus
De acordo com o rabino Gilberto Ventura, fundador do movimento Sinagoga Sem Fronteiras (SSF), que atende todo o país e tem sede em São Paulo, o antissemitismo não é algo cultural do Brasil, pois “a população, em sua maioria, ama Israel e compreende que os que atacam o Estado judeu também têm os cristãos como inimigos”.
No entanto, ele explica que o aumento nos casos se dá, principalmente, devido à disseminação de mensagens de ódio movidas por alguns influenciadores digitais e políticos como o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Ele comparou Israel aos nazistas”, recorda o rabino, em referência à afirmação do mandatário brasileiro em fevereiro de 2024 de que a ofensiva israelense contra o Hamas na Faixa de Gaza se assemelharia ao Holocausto — política de extermínio de judeus implementada pelo ditador alemão Adolf Hitler entre 1941 e 1945.
Ventura cita ainda a fala de José Genoino, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), que defendeu, em janeiro de 2024, boicote a empresas de judeus, e a postagem do escritor e vice-presidente do Instituto Brasil-Palestina, Sayid Tenório, a respeito de uma mulher com manchas de sangue na altura das nádegas, levada como refém pelo Hamas.
“Estuprar civil ajuda no que a Palestina?”, perguntou um perfil no X que divulgou as imagens. “Isso é marca de merda”, Sayid respondeu na publicação, apagada tempos depois. No dia anterior, o escritor havia sido fotografado ao lado do ministro de Relações Institucionais do governo Lula, Alexandre Padilha.
“Famílias ricas judias deveriam ser alvos de uma AK-47”, diz estudante de universidade
A disseminação de mensagens de ódio, segundo o rabino Ventura, tem resultado, por exemplo, em ataques e situações de assédio moral dentro das universidades. À Gazeta do Povo, ele relata que jovens judeus de diversos lugares do Brasil o procuram com relatos envolvendo “colegas que se apresentam como defensores dos palestinos”.
“E, para piorar, professores e diretoria poucas vezes têm reagido, o que permite a normalização e difusão dessas ideias entre os jovens”, alerta o fundador do movimento Sinagoga Sem Fronteiras (SSF).
Um desses jovens é o estudante de Direito *João, que sofre intimidação frequente de um rapaz da universidade. Segundo ele, esse aluno já o chamou de “genocida de crianças palestinas” e costuma fazer piadas antissemitas, afirmando com naturalidade que “famílias ricas judias deveriam ser alvos de uma AK-47”.
“O mesmo aluno, recentemente, apresentou um trabalho vestindo camiseta com símbolo de grupo terrorista”, relatou *João, ao citar ainda que o colega pertence a um grupo da faculdade que publica diversos posts antissemitas com “os mesmos estereótipos utilizados pelos nazistas”.






