Dois jovens presos em flagrante sob a acusação de soltar fogos de artifício para celebrar o domínio da facção criminosa Comando Vermelho (CV) no bairro Potira, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza,  tiveram o processo arquivado pela Justiça cearense. O caso ocorreu na noite de 8 de janeiro de 2026. Segundo os autos, policiais militares faziam patrulhamento de rotina quando ouviram o barulho dos fogos. Ao chegarem à rua Catumbi, visualizaram indivíduos que fugiram com a aproximação da viatura, mas Jonathan Duarte Lima e Rubens Ryan da Silva Nunes foram capturados.

A decisão da Vara de Delitos de Organizações Criminosas (VDOC) acolheu o parecer do Ministério Público do Ceará (MPCE), que apontou falta de provas para sustentar a acusação. O POVO teve acesso à decisão do arquivamento.

Mudança de comando criminoso na região 

Na ocasião, os policiais relataram que a dupla teria confessado informalmente que a queima de fogos era uma comemoração pela mudança de comando criminoso na região, que teria passado da facção “Massa” para o Comando Vermelho (CV). Com base nisso, os dois foram autuados em flagrante por integrar organização criminosa.

No dia seguinte, 9 de janeiro, durante a audiência de custódia, o juízo de Caucaia concedeu liberdade provisória aos suspeitos.

A decisão destacou que a dupla era tecnicamente réu primária, não possuía antecedentes criminais e exercia atividade lícita informal, apontando a fragilidade dos indícios para mantê-los presos.

O caso foi transferido para a Vara de Organizações Criminosas, em Fortaleza, por se tratar de suposto crime envolvendo facções.

Ao analisar o inquérito em fevereiro, as promotorias de Justiça de combate às organizações criminosas concluíram que não havia provas materiais para dar andamento à denúncia.

O órgão ministerial ressaltou que os policiais sequer presenciaram os investigados acendendo os fogos, nenhum material ilícito ou caixa de fogos foi apreendido com eles e a real motivação do ato não ficou comprovada.

Conforme a decisão, diante da falta de elementos de convicção, o colegiado de magistrados determinou o arquivamento do inquérito policial e a revogação de todas as medidas cautelares que haviam sido impostas aos jovens.

Em nota à imprensa divulgada na segunda-feira, 16, o advogado criminalista Taian Lima, responsável pela defesa de Jonathan, destacou o arquivamento do inquérito policial pela Promotoria de Justiça de Combate às Organizações Criminosas.

De acordo com a defesa, a investigação não comprovou a participação dos investigados no crime apontado, “carecendo de elementos que embasassem eventual denúncia”. O representante ressaltou ainda que a manifestação pelo arquivamento “servirá como parâmetro para os incontáveis casos semelhantes”

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