O acirramento do conflito entre facções rivais visto em Fortaleza nas últimas semanas traz de volta o cenário dos ‘deslocados urbanos’. Em áreas periféricas, como no Bairro Boa Vista, famílias voltaram a ser expulsas de casa. Agentes da Segurança Pública escoltaram moradores que saíam das residências após receberem ordens de faccionados ligados ao grupo armado carioca Comando Vermelho (CV).

Os casos aconteceram na Rua 30 de Abril, território recentemente ‘tomado’ pelo CV que vive em disputa com a Massa Carcerária. Um morador contou às autoridades que “após a saída das famílias, os faccionados invadiram e tomaram conta das casas”.

Os PMs foram acionados via Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) e encontraram dentro da casa dois homens armados. Um deles conseguiu fugir escalando o muro. O outro foi identificado como Ítalo Gabriel Gomes Menezes, preso em flagrante.

‘POR TODOS OS LADOS’

A reportagem ouviu uma fonte da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Conforme o investigador, “as expulsões estão ocorrendo por todos os lados”.

“Tanto o CV causa deslocamentos forçados, quanto os rivais. Isso está acontecendo em todas as áreas, Capital, Região Metropolitana, Interior… Está bem espalhado. Quase todos os dias temos esses deslocamentos forçados”, revelou a fonte de identidade preservada.

Por nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que Polícia Militar do Ceará (PMCE) prendeu em flagrante, “no último dia 17 de outubro, um suspeito de integrar organização criminosa e por posse irregular de arma de fogo no bairro Boa Vista, Área Integrada de Segurança 7 (AIS 7) de Fortaleza. O indivíduo, de 20 anos, carregava consigo um revólver e seis munições calibre 38. Ele já possuía passagens por lesão corporal, tráfico de drogas, roubo a pessoa, ameaça e dano. O suspeito foi conduzido até o 16º Distrito Policial (16º DP), unidade da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) onde foi autuado pelos crimes e colocado à disposição da Justiça”.

O sociólogo Luiz Fábio Paiva, estudioso da Rede de Observatórios e membro do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) da Universidade Federal do Ceará (UFC), destaca que com a intensa movimentação entre as facções e o conflito armado, “a população é afetada e recai uma acusação social sob as famílias de que algumas delas teriam algum tipo de vínculo com algum dos grupos”.

“Consequentemente isso produz o fenômeno das expulsões. Isso é um alerta para o poder público. É preciso pressionar para que esses grupos não se sintam tão à vontade para fazer esse tipo de movimentação, porque isso ultrapassa todo e qualquer limite. Afeta de maneira muito significativa toda a cidade, porque essa população expulsa passa a ser deslocada no interior da cidade gerando uma série de novos problemas e demandas para o poder público” Luiz Fábio Paiva Sociólogo

A Secretaria da Segurança Pública afirmou que a população pode contribuir com as investigações repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais para o número 181, o Disque-Denúncia.

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