O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta segunda-feira, 26, que a Venezuela precisa substituir a infraestrutura eleitoral antes de realizar novas eleições. Ele acredita que a ditadura de Nicolás Maduro usou esse sistema para manipular os resultados, historicamente favoráveis aos candidatos chavistas.
Rubio deu a declaração enquanto o governo interino de Delcy Rodríguez negociava com setores da oposição venezuelana mudanças nas instituições do país. Segundo a agência Reuters, as conversas incluem a formação de um novo Tribunal Supremo de Justiça até o fim deste ano. A previsão é que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), responsável pela organização das eleições e pela divulgação dos resultados oficiais, seja renovado na sequência.
O secretário de Estado dos EUA afirmou que as negociações avançam, mas advertiu que qualquer tentativa de interromper o processo prejudicaria o país. A líder oposicionista María Corina Machado, que voltou à Venezuela neste domingo, 25, defende a realização de eleições até meados de 2027. O presidente dos EUA, Donald Trump, por sua vez, já declarou que considera o país despreparado para uma votação nacional.
A Venezuela utiliza um sistema automatizado de votação desde 2004. O eleitor registra o voto em uma máquina com tela sensível ao toque. O equipamento imprime um comprovante com a escolha, que o cidadão confere e deposita em uma urna física. Ao fim da votação, a máquina também imprime uma ata com o total de votos recebidos por cada candidato naquela seção. O equipamento transmite os resultados eletronicamente ao órgão eleitoral.
O comprovante em papel permite comparar os votos físicos com os registros eletrônicos. O modelo também prevê auditorias para verificar se os números correspondem. Na eleição de 2024, o sistema utilizou máquinas fabricadas pela empresa ExClé.
A companhia assumiu a operação da tecnologia eleitoral venezuelana depois que a Smartmatic deixou o país, em 2017, em meio a uma divergência com o CNE sobre a divulgação dos resultados de uma eleição.
As críticas de observadores internacionais se concentraram na transparência do processo, na atuação das autoridades e na divulgação dos resultados, não apenas na tecnologia de votação.






