O governo Lula esboça, às vésperas das eleições, uma nova tentativa de conter o elevado endividamento e a inadimplência das famílias brasileiras. A medida, anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, ocorre no momento em que pesquisas eleitorais apontam para uma disputa acirrada entre Lula e o candidato Flávio Bolsonaro (PL).
A nova medida em estudo no Ministério da Fazenda é voltada a dívidas antigas, cujos credores já não têm expectativa de receber o dinheiro. A ideia é realizar um leilão para que esses débitos sejam negociados com deságio elevado – ou seja, com grande desconto sobre o valor devido –, com expectativa de efetivação a partir do início do próximo ano.
O programa deve ser apresentado formalmente ao presidente Lula nos próximos dias. Esta é mais uma de várias iniciativas do governo para reduzir o endividamento das famílias, como o Desenrola Brasil, lançado em 2023; o Novo Desenrola Brasil e o Desenrola Adimplentes, ambos lançados neste ano eleitoral.
A equipe econômica considera que os programas funcionam como “vacinas” aplicadas periodicamente para melhorar as condições de crédito da população.
“Dar vacina para um problema crônico tem que seguir acontecendo. Então, estamos apresentando a proposta para o presidente levar para a campanha. Esse programa vai olhar para a recompra de dívida e menos para a renegociação que as pessoas já fizeram”, disse o ministro da Fazenda ao jornal Extra.
Governo quer comprar dívidas que bancos já consideram irrecuperáveis
Durigan explicou que, diferentemente da primeira versão do Desenrola — em que os devedores acessavam uma plataforma para escolher as melhores ofertas de renegociação entre vários credores —, o novo modelo pretende permitir um leilão para a aquisição direta dessas dívidas com deságio elevado. A ideia é comprar os débitos por um valor muito inferior ao original, reduzindo o custo da operação para o governo.
Segundo o ministro, a iniciativa busca limpar o nome de cidadãos com dívidas antigas cujos credores originais já consideram os débitos irrecuperáveis.




