Drogas escondidas em extintores de incêndio e em caixas de mangueira dentro de um campus da Universidade Estadual do Ceará (Uece), em Fortaleza. Era assim que funcionava parte da distribuição de entorpecentes na instituição de ensino pública e em bares universitários nos arredores do Campus do Centro de Humanidades, em Fortaleza, que foi desvendada e desarticulada pela Polícia Civil do Ceará (PCCE).

A reportagem do Diário do Nordeste apurou detalhes de como acontecia a compra e venda dos entorpecentes. Seis homens foram presos e indiciados.

Conforme a investigação, o esquema era encabeçado por Jhonny Lima da Silva, o ‘Jhonny Bode’, fotógrafo conhecido na região por comercializar ‘brownies e alfajores de maconha’ e agora já denunciado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE).

A Universidade se pronunciou por nota, afirmando que “após tomar conhecimento, ainda em 2025, de possível utilização de espaço do Campus Fátima para atividades relacionadas ao tráfico de drogas, a Universidade Estadual do Ceará (Uece) comunicou os fatos à Polícia Civil do Estado do Ceará e colaborou com as autoridades responsáveis pela apuração. A partir das informações encaminhadas, a Polícia Civil realizou investigação e diligências que resultaram na identificação e prisão de investigados. O inquérito policial foi concluído e encaminhado à Justiça”.

“A Uece considera que a divulgação responsável dessas informações contribui para reduzir a sensação de insegurança na comunidade acadêmica e reafirma que práticas ilícitas, especialmente aquelas relacionadas ao tráfico de drogas, não encontram nos espaços da Universidade ambiente de tolerância ou impunidade”. (Veja nota na íntegra no fim do texto).

REDE DE CONTATOS

Constam em documentos obtidos pela reportagem do Diário do Nordeste que a análise do conteúdo extraído pela Polícia revelou uma extensa rede de contatos mantida por Jhonny junto a outros envolvidos na negociação e fornecimento de drogas. Foram “identificadas conversas, áudios, imagens e vídeos relacionados à aquisição, fracionamento, revenda e entrega de substâncias entorpecentes, especialmente maconha, skunk e cocaína”.

O transporte da droga, também distribuída em bares universitários no Bairro de Fátima, acontecia com ajuda de um motorista de aplicativo vinculado ao grupo.

Foram indiciado e presos:

  • Rafael Martins de Andrade
  • Valmir da Silva Miranda
  • Jhonny Lima da Silva
  • Wilson Almeida de Lima
  • Ilário Victor Mesquita Costa
  • Gabriel Alves do Nascimento

A defesa de Jhonny alegou no processo, que ele sofre de transtornos psiquiátricos. Em depoimento, o investigado negou ser envolvido com esquema de venda de drogas e disse que frequentava a Uece “porque sua namorada estudava lá”.

A advogada que representa a defesa de Jhonny e de Gabriel foi procurada pela reportagem, mas optou por não se posicionar neste momento. Os demais advogados não foram localizados.

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