A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) protocolou um pedido no Senado Federal, na última terça-feira, 8, para investigar uma possível falta de transparência em casos de irregularidades durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O requerimento, obtido por Oeste, questiona o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho, sobre uma “aparente interrupção” na publicação de relatórios de auditoria do órgão. O sistema público do governo mostra 2 de julho de 2026 como a data da última publicação de relatórios de fiscalização.
Damares interroga se relatórios já concluídos estão sendo mantidos sem publicação e se parte deles será divulgada apenas depois do primeiro ou do segundo turno das eleições. A senadora também pergunta se houve alguma determinação, orientação, recomendação ou ordem administrativa para “suspender, reduzir, postergar” as publicações durante o período eleitoral.
“A solicitação busca permitir a adequada compreensão das alterações identificadas nas próprias bases públicas da CGU”, explica a senadora, no documento. “Inclusive quanto à eventual existência de relatórios concluídos e ainda não publicados, aos fundamentos de eventual postergação e à relação entre o fluxo de publicação e o período eleitoral de 2026, sem antecipação de juízo acerca de suas causas.”
A CGU é responsável por fiscalizar a aplicação de recursos públicos. Seus trabalhos de auditoria podem identificar desperdícios, desvios e outras irregularidades. Os relatórios analisados no requerimento se dividem em dois tipos: os de Avaliação, voltados a aspectos como organização, processos e controles; e os de Apuração, destinados a investigar atos e fatos suspeitos de ilegalidade ou irregularidade, inclusive fraude, desvio de recursos e eventual responsabilização.
Entre 2023 e 2025, os relatórios classificados como Apuração caíram cerca de 62%. No mesmo período, os de Avaliação cresceram aproximadamente 55%.
Em 2023, há registro de 139 relatórios de Apuração e 375 de Avaliação. Em 2024, os números foram de 78 e 515, respectivamente. Já em 2025, foram 53 relatórios de Apuração e 580 de Avaliação.
A queda nos relatório de Apurações e o aumento nos de Avaliações levantam questionamentos sobre uma possível mudança no perfil das fiscalizações. O requerimento também indaga a relação entre a redução das Apurações e o aumento das chamadas Operações Especiais.




