Em meio à crise institucional deflagrada pela revelações da ligação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o jornalista Merval Pereira, do Grupo Globo, admitiu nesta quarta-feira, 9, que grande parte da imprensa brasileira errou ao apoiar a conduta de ministros da mais alta Corte do Judiciário durante processos recentes, como o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, além do Inquérito das Fake News, instaurado em 2019 e que segue em vigor.
O inquérito foi instaurado de ofício (por iniciativa própria) pelo então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, sem passar por sorteio prévio. O ministro Alexandre de Moraes foi designado relator do caso. A investigação tem o objetivo de apurar notícias supostamente falsas, ameaças, calúnias e ataques que atinjam a segurança da Corte, de seus ministros e familiares.
As declarações de Merval, que é comentarista da GloboNews e colunista do jornal O Globo, foram dadas durante o programa Estúdio i, da GloboNews, no início da tarde desta quarta. O jornalista também é presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL).
A equipe de comentaristas analisava os desdobramentos da decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que reconduziu ao cargo o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, ao derrubar decisão do colega André Mendonça no dia anterior.
“Nós, da imprensa, temos de fazer um mea-culpa. Eu começo por mim. A gente tende a aceitar certas medidas que são claramente fora da lei, do normal, porque acha que o sujeito lá merece ser condenado porque participou do golpe”, afirmou Merval.
“E a gente esquece que as formalidades são fundamentais, porque senão a gente fica na mão de pessoas como o ministro Moraes, que tem pontos de vista bastante contestáveis”, prosseguiu o jornalista.
Merval completou: “A gente tem que tomar cuidado. Eu realmente acho que a gente errou nessa avaliação de quais são os limites ou que os fins justificam os meios”.







