Entre 30 e 40 trabalhadores foram demitidos no Ceará durante o processo de reestruturação do Grupo Casas Bahia, estima Sebastião Costa, presidente do Sindicato dos Comerciários.

O impacto no mercado de trabalho local decorre do fechamento de três unidades da rede no Estado: uma no bairro Montese, em Fortaleza, e duas nos municípios de Pacajus e Itapipoca.

O movimento ocorre no contexto do pedido de recuperação judicial ajuizado pela empresa em 16 de agosto de 2026. Em crise financeira, o grupo prevê o encerramento de 300 lojas no País e 3 mil desligamentos após registrar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre.

Segundo o sindicato, não há dados formais da varejista sobre a previsão de novas demissões ou desativação de filiais.

O levantamento de demitidos é realizado pela própria entidade via contato direto com os ex-funcionários, diante da falta de transparência da gestão.

“Se vem mais fechamento, eu não tenho como dizer. Não tem uma estimativa de novos cortes porque a empresa não se abre, não divulga e não procurou o sindicato”, pontua Costa.

Demissões sem negociação e atraso nas rescisões

De acordo com o presidente da entidade, os desligamentos ocorreram sem Plano de Demissão Voluntária (PDV) ou negociação prévia.

“Não tem nenhum plano de demissão voluntária, não tem negociação com os funcionários, não tem negociação com o sindicato”, disse.

Costa afirma ainda que ex-funcionários enfrentam atraso nas verbas rescisórias, no saldo de salários, nas comissões e na liberação do FGTS e do seguro-desemprego.

O sindicalista ressaltou que não é possível estimar o valor médio das indenizações por falta de planilha oficial.

Paralelamente, a empresa atravessa processo de recuperação judicial, no qual garantiu a manutenção de planos de saúde e benefícios, embora os pagamentos sigam condicionados ao andamento da ação.

Trabalhadores não querem retornar

A principal reivindicação das famílias acompanhadas pelo sindicato é o acerto financeiro e a liberação dos documentos para a recolocação no mercado.

Segundo a entidade, nenhum dos cerca de 30 trabalhadores assistidos manifestou interesse em ser readmitido.

“Nenhum, mas nenhum deles, numa só voz, pede clemência para voltar para a Casas Bahia, eles não querem”, relatou.

Parte dos profissionais já recebeu novas propostas de emprego, mas está impedida de assumir os cargos devido à falta de baixa na carteira de trabalho.

Enquanto aguardavam reunião com as Relações Sindicais Nacional do grupo para obter esclarecimentos, a entidade criticou a postura do grupo com funcionários antigos.

“O que eu lamento muito é o tratamento que a empresa Casas Bahia, um grupo de nome com conceito no Brasil, dá a esses trabalhadores: abandonar totalmente pessoas que têm 10, 15, 20 anos de empresa.

Hoje não têm como receber suas contas porque ninguém da empresa recebe esse trabalhador que dedicou praticamente a vida inteira à companhia”, lamentou Costa.

Até o momento, o sindicato não recebeu uma definição sobre possíveis novos fechamentos, o número final de demitidos ou o cronograma de pagamento das verbas.

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