O governo da Bahia vendeu por R$ 15 milhões, em 2018, a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal que administrava a rede de supermercados Cesta do Povo. Nos sete anos seguintes, o Estado gastou R$ 93 milhões para pagar dívidas relacionadas à empresa. O valor é 6,2 vezes superior ao obtido com a privatização. Os dados foram levantados pelo site Poder360 a partir de informações do portal Transparência Bahia.
A venda ocorreu durante o governo de Rui Costa (PT), atual ministro da Casa Civil, depois de duas tentativas frustradas de privatização, em 2016 e março de 2018, ambas com preço mínimo de R$ 81 milhões.
Na terceira tentativa, o governo reduziu o valor e incluiu no negócio o Credcesta, programa de crédito destinado originalmente a servidores públicos estaduais. A Ebal acabou arrematada por R$ 15 milhões.
O cartão de crédito consignado se tornou o principal atrativo da privatização. O comprador recebeu exclusividade de 15 anos para operar o Credcesta entre os servidores estaduais e autorização para que os funcionários comprometessem até 30% do salário líquido com o produto. Como as parcelas eram descontadas diretamente da folha, o risco de inadimplência era muito baixo.
Pouco depois da privatização, o Credcesta deixou de ser apenas um cartão para compras e passou a oferecer empréstimos em dinheiro. Os juros cobrados chegaram a aproximadamente 5% ao mês, enquanto a taxa média do crédito consignado para servidores públicos variava entre 1,37% e 1,59% ao mês no mesmo período.
O programa posteriormente foi parar no Banco Máxima, que passou a se chamar Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. A operação cresceu rapidamente e chegou a 24 Estados.
Em 2024, segundo dados da Receita Federal, o Master obteve R$ 1,6 bilhão com a revenda de carteiras de crédito do Credcesta a terceiros, enquanto a receita com os juros dos empréstimos originais foi de R$ 709 milhões.
PF coloca políticos sob suspeita
A relação entre o Credcesta, o Banco Master e políticos baianos passou a ser investigada pela Polícia Federal. Na 9ª fase da Operação Compliance Zero, realizada em junho, a PF apurou suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas à manutenção do contrato.
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, registra que investigadores identificaram uma transferência de R$ 3,5 milhões feita pela PKL One, empresa ligada ao núcleo de Augusto Lima, para a BN Financeira, apontada no documento como vinculada ao núcleo familiar do senador Jaques Wagner (PT-BA).





