O assessor do ditador da Rússia, Vladimir Putin, Nikolai Patrushev, visitou o Rio de Janeiro nesta semana e cumpriu uma agenda que incluiu instalações estratégicas da Marinha do Brasil, instituições de pesquisa e o maior navio de guerra brasileiro. A passagem ocorreu dois dias depois de ele ter sido recebido, fora da agenda oficial, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Brasília.

Segundo informações divulgadas pela Embaixada da Rússia no Brasil, a agenda no Rio incluiu o Museu Naval, o Arsenal de Marinha, o porto do Rio de Janeiro, onde está o NAM Atlântico, e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A visita ao NAM Atlântico (A-140) ocorreu na quinta-feira (6). O navio é o capitânia da Marinha brasileira e a maior embarcação de guerra do país. Patrushev inspecionou a embarcação acompanhado de integrantes da Marinha brasileira. O navio é classificado oficialmente como Navio-Aeródromo Multipropósito e pode operar helicópteros e aeronaves remotamente pilotadas, além de transportar tropas e equipamentos.

A visita ao navio foi apenas uma parte da agenda marítima do representante russo. De acordo com a embaixada, Patrushev também esteve no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, principal complexo de construção e reparação naval da Marinha brasileira.

Patrushev é uma das figuras mais antigas do círculo de poder de Putin. Ele comandou o Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB), sucessor da KGB, entre 1999 e 2008. Depois, permaneceu por 16 anos à frente do Conselho de Segurança da Rússia, de 2008 a 2024. Atualmente, além de assessorar o ditador russo, Patrushev é presidente do Conselho Marítimo russo.

Oficialmente, Rússia e Brasil discutem soberania tecnológica

No Arsenal, representantes da indústria naval dos dois países participaram de reuniões com a delegação russa. Segundo a Embaixada da Rússia, um dos temas centrais das conversas foi a garantia da soberania tecnológica de Brasil e Rússia.

O assunto amplia o alcance da visita para além de uma agenda diplomática ou protocolar. A discussão envolveu diretamente setores ligados à construção e à manutenção naval e ocorre em um momento em que o governo brasileiro tem defendido o fortalecimento da indústria nacional de Defesa e o desenvolvimento de capacidades tecnológicas próprias.

Durante a passagem pela UFRJ, Patrushev também conheceu o Laboratório de Tecnologia Oceânica (LabOceano), ligado ao Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe). A delegação russa apresentou tecnologias desenvolvidas em parceria com o Instituto Kurchatov, incluindo veículos subaquáticos tripulados. Também foram discutidas tecnologias para robótica autônoma e materiais resistentes à corrosão destinados às indústrias naval e de petróleo.

A Embaixada da Rússia informou ainda que os dois países discutiram projetos de pesquisa em oceanografia e estudos de ecossistemas costeiros e polares.

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