O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino autorizou a Polícia Federal (PF) a investigar o empresário Fábio Luís Lula da Silva. A decisão é desta terça-feira (4), um dia após seu sorteio para relatar o terceiro inquérito contra o filho do presidente Lula (PT) conhecido como Lulinha.

As suspeitas giram em torno de uma empresa de tecnologia com contratos de R$ 81,1 milhões com o governo federal. A suspeita é de que Lulinha tenha usado seu parentesco com Lula para influenciar na obtenção dos contratos.

O filho do presidente é alvo de dois inquéritos autorizados pelo ministro André Mendonça. No primeiro, a suspeita é de influência indevida e corrupção no processo de flexibilização da cannabis medicinal, com a participação de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

O segundo inquérito autorizado por Mendonça foca na Dataprev. A PF aponta que Lulinha, junto com Antunes e a empresária Roberta Luchsinger, teria atuado para conseguir contratos junto à empresa de tecnologia.

Defesa fala em “uso político-eleitoral” da PF e ataca filhos de Bolsonaro

A defesa se manifestou por meio de nota (leia na íntegra ao final). Nela, alega que recebeu a decisão com tranquilidade e que irá esclarecer as dúvidas sobre a atuação profissional de Lulinha. Há ainda o elogio à atuação “serena e equilibrada” de Dino.

O advogado Marco Aurélio de Carvalho se reuniu com ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, e com o STF para obter mais informações e questionar a divulgação dos detalhes. Com isso, Dino determinou a abertura de um quarto inquérito, com o objetivo de apurar o vazamento dos autos, que tramitam sob sigilo.

A nota segue com ataques ao governo de Jair Bolsonaro (PL), afirmando que a PF havia sido “capturada por interesses privados” por parte do ex-presidente “para proteção de seus filhos, asseclas e milicianos que ocuparam o governo do país”.

Conversas obtidas pela PF mostram troca de detalhes sobre contratos públicos

Um dos conteúdos vazados é a conversa de Luchsinger com Antunes. De acordo com o jornal Estado de São Paulo, os diálogos revelam que o “Careca do INSS” sugere que Luchsinger procure o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para obter acesso à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na conversa, o veículo conta que há a menção ao lobby na Dataprev.

Nas imagens dos diálogos, de setembro de 2025, Antunes aparece listando as oportunidades para obter ganhos no setor público. Em um deles, envolvendo a Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego) e o Ministério da Saúde, o empresário diz que pretende colocar outra pessoa para agir em seu lugar, para que não seja ainda mais vinculado ao lobby.

Há ainda o detalhamento dos investimentos em canabidiol, na venda de kits de dengue e em projetos de educação financeira. Roberta teria se interessado por este último, solicitando mais informações. Em seguida, afirmou que um de seus amigos teria gostado.

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