Enquanto tinha ligação com o Vice-Cônsul Honorário da Itália em Fortaleza, o italiano Cesare Villone, que morou por décadas no Ceará, teria sido uma das peças centrais de uma organização criminosa transnacional dedicada à lavagem de dinheiro e fraude, descoberta em 2024 pela Polícia Federal (PF). Réu na Justiça Federal cearense, Villone não apenas participaria do esquema, como comandaria um dos braços operacionais do grupo, entre os anos de 2011 e 2013, e teria laços com a máfia ‘Ndrangheta, originária da região da Calábria, na Itália, apontam as investigações da PF e a denúncia do Ministério Público Federal (MPF).

A denúncia criminal, oferecida pelo MPF, revelou que ele usaria o aparato diplomático, como o endereço oficial do Vice-Consulado da Itália e da Câmara de Comércio Ítalo-Brasileira, na Rua Miguel Dibe, nº 68, em Fortaleza, para registrar 21 empresas, muitas delas de fachada.

Em nota, os advogados Nestor Santiago e João Henrique de Andrade, que representam os irmãos italianos Cesare e Maurizio Villone, informam que os fatos narrados contra eles são “inverídicos, fantasiosos e desprovidos de qualquer embasamento probatório, tal como foi exaustivamente demonstrado no curso do inquérito policial”.

O objetivo da criação dos empreendimentos, segundo o órgão ministerial, era conferir uma aparência de legitimidade e credibilidade que facilitava a internalização de recursos ilícitos e a obtenção de vistos para italianos com antecedentes criminais na Europa.

Cesare já foi presidente da Câmara de Comércio Ítalo-Brasileira do Nordeste, órgão que, segundo a biografia do italiano presente em um site com seu nome, ele ajudou a fundar.

A lavagem de dinheiro, de acordo com a peça acusatória, acontecia ainda em associação com Maurizio Villone, irmão de Cesare.

A investigação aponta ainda que Maurizio e outro irmão, Gabriele, utilizaram a estrutura empresarial de Cesare, montada no Brasil, para lavar dinheiro proveniente, inclusive, do tráfico internacional de armas.

 

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