O corregedor nacional do Ministério Público, Fernando Comin, instaurou, nesta quinta-feira (11), procedimento para apurar o pagamento de diárias internacionais a membros do Ministério Público do Ceará (MPCE) durante a Copa do Mundo de 2026.

O MPCE autorizou o pagamento de mais de 44 mil em diárias para três integrantes do órgão participarem de missão institucional nos Estados Unidos no mesmo período do mundial. O órgão nega irregularidades e diz que passagens aéreas e ingressos para jogos serão custeados pelos próprios membros.

Os promotores de Justiça Dérick Funck Leite e Wander de Almeida Timbó participam de atividades ligadas a Copa do Mundo Masculina de 2026. Segundo o MPCE, eles fazem parte do Grupo Nacional de Combate à Violência nos Estádios (GNCOVE), do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União.

Além deles, o procurador-geral de Justiça do Ceará, Herbet Gonçalves Santos, também viaja para missão institucional durante a Copa do Mundo. Segundo o órgão, ele participa do evento “Preparação da Copa do Mundo Feminina FIFA 2027”, entre os dias 1º e 6 de julho. A Copa do Mundo Feminina será realizada no Brasil e terá Fortaleza como uma das cidades-sede.

PontoPoder pediu um posicionamento do MPCE a respeito da apuração realizada pela Corregedoria Nacional e aguarda resposta. Em nota enviada na quinta-feira, o órgão havia negado qualquer irregularidade.

“A agenda possui caráter institucional e técnico, voltada ao acompanhamento de protocolos de segurança, gestão de multidões, prevenção de conflitos e articulação entre órgãos de segurança e entidades responsáveis pela organização dos eventos esportivos internacionais”, justifica.

“Esse tipo de atuação institucional já é realizado de forma regular e frequente por membros do Ministério Público em grandes eventos esportivos promovidos no Brasil, especialmente em ações relacionadas à segurança dos torcedores, prevenção da violência e integração entre instituições públicas responsáveis pela realização das competições”. Ministério Público do Ceará

Apuração na Corregedoria Nacional

O procedimento foi instaurado por meio de notícia de fato a partir das reportagens jornalísticas sobre o caso.

Segundo o corregedor Fernando Comin, “divulgação jornalística, por si só, não constitui elemento suficiente para a formulação de juízo conclusivo acerca da regularidade ou irregularidade dos atos”, é “recomendável” a apuração dos fatos.

O objetivo, segundo ele, é entender “as circunstâncias que motivaram a missão institucional, seus fundamentos administrativos e os respectivos custos”.

Para isso, a Corregedoria Nacional enviou ofício ao procurador-geral do Ceará para pedir mais informações sobre a viagem dos integrantes do MPCE. Foram solicitados:

  • Os atos administrativos que autorizaram a viagem;
  • A identificação dos membros participantes;
  • Os objetivos institucionais da missão;
  • O período de afastamento; e
  • Os valores gastos com diárias e eventuais outras despesas custeadas pelo Ministério Público.
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