O Ceará sobe da quinta para a segunda maior taxa de homicídios do país quando entram na conta os chamados homicídios ocultos, que são calculados a partir das mortes violentas inicialmente classificadas sem causa definida. Os dados são do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com base em informações de 2024. Com a inclusão dessas mortes, a taxa do estado sobe de 34,3 para 43,7 homicídios por 100 mil habitantes.
No ranking oficial, o Ceará aparece atrás de Amapá (45,7), Bahia (40,9), Pernambuco (37,3) e Alagoas (35,9). Quando os homicídios ocultos entram na conta, porém, o estado ultrapassa Bahia, Pernambuco e Alagoas, sobe três posições e passa a ocupar o segundo lugar nacional, atrás apenas do Amapá, que registra taxa estimada de 47,1 homicídios por 100 mil habitantes.
O Atlas considera, além dos homicídios registrados, as chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), categoria utilizada quando não é possível identificar a causa básica do óbito. Para identificar quantas dessas mortes podem ter sido homicídios, os pesquisadores utilizam metodologia baseada em aprendizado de máquina, considerando características das vítimas e das ocorrências. A soma dos homicídios oficialmente registrados com os chamados homicídios ocultos forma o indicador de homicídios estimados utilizado pelo levantamento.
No cenário nacional, o Brasil registrou oficialmente 42.590 homicídios em 2024, com taxa de 20,1 mortes por 100 mil habitantes. Com a inclusão dos homicídios ocultos, porém, o total sobe para 49.673 homicídios, enquanto a taxa nacional passa para 23,4 mortes por 100 mil habitantes.
Crescimento
O Atlas da Violência 2026 também aponta que o Ceará registrou o segundo maior aumento do país na taxa de homicídios estimados entre 2023 e 2024, com alta de 23,8%, atrás apenas de Minas Gerais, que apresentou crescimento de 25%.
Na análise dos últimos cinco anos, o cenário também chama atenção. Entre 2019 e 2024, o Ceará apresentou aumento de 44,2% na taxa de homicídios estimados, o maior crescimento entre os estados destacados pelo levantamento, à frente de Maranhão (+25,8%), Piauí (+22,3%), Minas Gerais (+16,4%) e Rondônia (+15,6%).
Segundo o Atlas, os dados sugerem que a aparente queda da violência letal observada nos registros oficiais não se reproduz integralmente quando os homicídios ocultos são incorporados à análise. O estudo cita o Ceará entre os estados onde a subnotificação passou a ter peso decisivo na interpretação da dinâmica recente da violência letal no país.
“O resultado é uma fotografia mais preocupante do que a sugerida pelos registros brutos, sobretudo em estados como São Paulo, Minas Gerais, Ceará e Rio de Janeiro, onde a subnotificação passou a ter peso decisivo na interpretação da dinâmica recente da violência letal, segundo os dados da saúde”, diz a pesquisa.
Confira a taxa de homicídios estimados por 100 mil habitantes:
1º — Amapá — 47,1 homicídios por 100 mil habitantes;
2º — Ceará — 43,7;
3º — Bahia — 42,6;
4º — Alagoas — 39,8;
5º — Pernambuco — 38,6;
6º — Amazonas — 33,8;
7º — Maranhão — 31,7;
8º — Rondônia — 31,1;
9º — Roraima — 30,3;
10º — Mato Grosso — 30,2;
11º — Pará — 28,7;
12º — Espírito Santo — 28,3;
13º — Rio Grande do Norte — 26,8;
14º — Paraíba — 26,0;
15º — Rio de Janeiro — 24,4;
16º — Sergipe — 24,2;
17º — Piauí — 21,4;
18º — Tocantins — 21,3;
19º — Acre — 21,2;
20º — Mato Grosso do Sul — 20,0;
21º — Paraná — 19,5;
22º — Goiás — 19,3;
23º — Minas Gerais — 18,5;
24º — Rio Grande do Sul — 15,9;
25º — São Paulo — 12,8;
26º — Distrito Federal — 10,9;
27º — Santa Catarina — 8,8.
Confira a taxa de homicídios registrados por 100 mil habitantes
1º — Amapá — 45,7 homicídios por 100 mil habitantes;
2º — Bahia — 40,9;
3º — Pernambuco — 37,3;
4º — Alagoas — 35,9;
5º — Ceará — 34,3;
6º — Amazonas — 32,2;
7º — Maranhão — 31,1;
8º — Rondônia — 30,3;
9º — Mato Grosso — 29,1;
10º — Roraima — 27,8;
11º — Pará — 27,4;
12º — Espírito Santo — 26;
13º — Paraíba — 25,7;
14º — Rio Grande do Norte — 23,5;
15º — Sergipe — 23;
16º — Piauí — 20,6;
17º — Rio de Janeiro — 20,4;
18º — Acre — 20,2;
19º — Tocantins — 19,8;
20º — Paraná — 18,6;
21º — Goiás — 18,4;
22º — Mato Grosso do Sul — 18,3;
23º — Rio Grande do Sul — 15,2;
24º — Minas Gerais — 12,8;
25º — Distrito Federal — 10,3;
26º — Santa Catarina — 8,1;
27º — São Paulo — 6,6.








