O pai de uma aluna de uma escola estadual do litoral norte de Santa Catarina foi condenado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) por discriminar uma professora durante uma discussão sobre atividades pedagógicas relacionadas à cultura afro-brasileira.

Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC), o caso ocorreu em 27 de outubro de 2023. Na ocasião, o pai teria ido até a escola após descobrir que a filha participou de uma atividade sobre cultura afro-brasileira vinculada a atividades do projeto pedagógico com relação à Consciência Negra.

Ao encontrar a professora, o homem teria acusado a educadora de promover “doutrinação” religiosa. Conforme a denúncia, ele também fez comentários considerados depreciativos em relação às religiões de matriz africana.

Durante o interrogatório, o pai negou ter discriminado ou ofendido a professora. Ele afirmou que procurou a escola por preocupação com a filha, que possui deficiência em uma das mãos, e disse que queria discutir alternativas para atividades pedagógicas que teriam causado desconforto físico à estudante. O homem declarou ainda que, caso alguma fala tenha sido mal interpretada, pediria desculpas, pois não teve intenção de ofender.

Na decisão, a Justiça catarinense destacou que os relatos da vítima e das testemunhas foram considerados coerentes e convergentes. Segundo a sentença, o comportamento do homem teria se intensificado após a entrada da professora na sala, momento em que as manifestações passaram a incluir referências discriminatórias relacionadas às religiões de matriz afro-brasileira e à identidade racial da educadora.

As testemunhas também afirmaram que o conteúdo trabalhado em sala fazia parte do planejamento pedagógico da escola e não possuía caráter de ensino religioso ou tentativa de conversão dos alunos. A decisão, no entanto, é passível de recurso.

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