O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que seria “uma covardia” deixar de pedir o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Autor do texto rejeitado por 6 votos a 4, Vieira afirmou que declarações do ministro Gilmar Mendes, um de seus alvos, soam a provocação de “5ª série”.
O magistrado pediu à Procuradoria-Geral da República que investigue o senador por possível abuso de autoridade. Em entrevista, Vieira afirma não haver lastro técnico para o pedido e que o voto de um parlamentar em uma comissão não pode ser considerado ilegal.
Nas redes sociais, Vieira rebateu o ministro e disse que “ameaças e tentativas de constrangimento não vão mudar o curso da história”. Ele destacou a representação “será respondida com absoluta tranquilidade e dentro do rigor técnico devido”.
Os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que analisará o pedido de Gilmar, também estavam no rol de indiciados. O parecer foi rejeitado pela comissão.
“O claro desvio de finalidade enveredado pelo relator da CPI do Crime Organizado não encontrou guarida sequer entre os seus pares, que deliberadamente optaram por não aprovar o texto de endereçamento final por ele sugerido”, disse o ministro no ofício enviado a Gonet.
Gilmar argumenta que o escopo da CPI — criada em fevereiro de 2025 para investigar facções criminosas — não possui qualquer relação com as alegações formuladas contra ele.
O ministro acusa o relator de utilizar um “juvenil jogo de palavras” para tentar “usurpar” competências do próprio Senado Federal, a quem cabe processar e julgar crimes de responsabilidade de integrantes do STF.
“A grave arbitrariedade praticada pelo relator da CPI do Crime Organizado foi objeto, inclusive, de reprimenda da Presidência do STF, a qual veiculou nota à imprensa acerca desses fatos, repudiando a ilegal iniciativa de indiciamento”, diz o ofício.






