“Essa medicação dela é importante para controlar as crises dela de esquizofrenia. Se ela não tomar ele, ela pode a qualquer momento ter uma crise. Do nada, ela está aqui de boa, tranquila, quando desce, ela tem uma crise”, afirmou Áurea Beatriz Gonçalo, do lar.
Segundo ela, ao buscar informações na Policlínica Dr. José Eloy, no bairro Bonsucesso, onde recebe os medicamentos, a resposta é recorrente: não há previsão de reposição. “Esse medicamento, ele não pode faltar. Ela tem todos os medicamentos, ela pode ter toda a medicação dela que ela toma normal, mas se ela não tiver ele, os outros medicamentos não servem”, completou.
A falta de medicamentos também atinge outros pacientes. Maria Raimunda, beneficiária do BPC, depende da gabapentina para aliviar dores causadas por artrose. Desta vez, saiu da unidade sem conseguir o remédio. “Fica ruim, porque se a gente for comprar na farmácia eles prendem a receita, e essa receita não pode ficar presa”, relatou.
No posto de saúde Gothardo Peixoto, no bairro Damas, a farmácia passa por reforma e aguarda autorização para retomar a distribuição de medicamentos. Atualmente, os remédios estão sendo entregues em outras unidades. No local, porém, a principal reclamação é a falta de médicos.
A aposentada Silvana Moreira Barreto procurou atendimento de urgência, mas não conseguiu consulta. “Eu vim para uma consulta de emergência porque eu estou muito gripada. Tossindo muito. Quando a gente chega aqui, diz que não tem um médico para atender a emergência”, disse.
Mesmo com consulta previamente marcada, a aposentada Fátima Roque também não foi atendida, o que a impediu de obter receita para medicação contínua. “Não deu certo porque não tem médico. Tinha uma doutora e saiu. Aí a gente vai esperar quando? Segunda-feira vir de novo pra marcar, pra quando?”, questionou.
A insatisfação é compartilhada por outros usuários. “Não tem médico, não tem enfermeiro, não tem nada. Nem vacina tem”, afirmou o aposentado Francisco Flávio.
Fortaleza enfrentou uma crise de desabastecimento de medicamentos no início do ano passado. Na época, o prefeito Evandro Leitão atribuiu o problema à gestão anterior e afirmou que a situação seria normalizada até maio do mesmo ano.