Fortaleza atingiu indicadores preocupantes de saúde mental entre adolescentes, ocupando o topo do ranking nacional de meninos e meninas que se sentem negligenciados e com tristeza persistente, considerando todas as capitais brasileiras. A constatação é de um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na população de estudantes entre 13 e 17 anos.

Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada nesta quarta-feira (25), que reúne informações essenciais sobre fatores de risco e proteção à saúde de adolescentes em escolas públicas e privadas do País. O recorte abrange do 7º ano (antiga 6ª série) do Ensino Fundamental até a 3ª série do Ensino Médio.

Segundo o levantamento, a capital cearense registra o maior percentual do País entre escolares que se sentem negligenciados, pois responderam que “ninguém se preocupa com eles” — atingindo a marca de 32,5% dos estudantes. O índice é maior entre meninas (36,6%, contra 28,1% entre meninos) e na rede pública (35,2%, contra 24,6% na rede privada).

O IBGE considera que a percepção do indivíduo de que é importante para alguém ou de que se faz parte de algo é relevante para sua saúde e bem-estar mental e social. Assim, pessoas desprovidas de apreço ou pertencimento tendem a apresentar comportamentos de desesperança.

A nível nacional, o percentual de adolescentes que respondeu se sentir assim, na “maioria das vezes” ou “sempre”, nos últimos 30 dias, foi de 26,1%. A análise revela que 19% dos meninos declararam desamparo, enquanto entre as meninas o percentual chegou a 33,3%.

Além do sentimento de negligência, Fortaleza se destaca no topo do ranking das capitais no relato de tristeza persistente. Segundo a American Psychiatric Association, esse sentimento é um indicador clássico para a investigação de depressão.

De acordo com as respostas coletadas pelo IBGE, 37,1% dos alunos afirmaram estar tristes “sempre” ou “na maioria das vezes” nos 30 dias anteriores à entrevista. Em comparação, a média nacional foi de 28,9%.

Novamente, o índice foi maior entre meninas, chegando a quase metade delas (47,8%, contra 28,1% entre meninos); e na rede pública (39,8%, contra 28,8% na rede privada).

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