Com pouco mais de dois meses de 2026, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) já contabiliza 134 processos em andamento relacionados a crimes de comércio, posse ou tráfico de animais provenientes de caça ilegal. Em média, isso corresponde a aproximadamente dois processos por dia.
O número registrado até agora já é 56% superior a todo o período do ano anterior, quando foram contabilizados 86 processos.
Os dados foram coletados até o dia 3 de março de 2026 e foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, extraídos pelo TJCE a partir da Plataforma de Estatística e Dados (PED).
Desde 2020, a Justiça do Ceará registrou 528 processos relacionados a crimes de tráfico de animais. O ano com maior volume de casos foi 2023, quando registrou 139 processos, a maior parte nos meses de agosto (21), março (18) e novembro (15).
Segundo Alberto Klefasz, analista ambiental do Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetas) do Ceará, vinculado ao Ibama, o crescimento no número de processos não necessariamente indica um aumento do tráfico, mas sim uma intensificação da fiscalização.
“Os órgãos de controle, como o Ibama e a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente têm ampliado a atuação para além das denúncias recebidas. Nas redes sociais, por exemplo, a gente tem visto um crescimento na divulgação de ilícitos, na troca de mensagens envolvendo o comércio de animais silvestres e também na oferta de caça. Os órgãos estão se especializando para identificar esse tipo de atividade”, explica.
Segundo ele, o acompanhamento desses crimes ocorre tanto nas redes sociais, como grupos de WhatsApp, quanto durante ações policiais, com apreensão de celulares e computadores, cujas análises geram novas operações, muitas vezes com participação da Polícia Federal e maior apreensão de animais traficados.
Ao mesmo tempo em que órgãos ambientais intensificam a fiscalização, as redes de tráfico se aperfeiçoam. Klefasz observa que, antigamente, o comércio ilegal era mais visível em áreas públicas, como feiras.
“Mas esses grupos mudaram o modus operandi, passando de ações visíveis para práticas mais dissimuladas. Hoje usam “mulas” para abordar frequentadores, enquanto os animais ficam em depósitos afastados, dificultando a fiscalização. Além disso, operam com volumes maiores de animais”, detalha o analista ambiental.
Conforme Klefasz, os maciços de Baturité, Serra de Aratanha e Maranguape têm fauna rica e servem como os principais pontos de captura. O Estado, contudo, também é ponto final e rota do tráfico internacional. Em geral, por conta do hub aeroportuário, são apreendidos lagartos exóticos, insetos e outros invertebrados, como escorpiões, aranhas e até ovos de araras.








