A Raízen, gigante do setor sucroenergético controlada pela Shell e pela Cosan, protocolou nesta quarta-feira (11) o maior pedido de recuperação extrajudicial da história do Brasil. A medida visa reestruturar um passivo financeiro de aproximadamente R$ 65,1 bilhões. O processo foca exclusivamente em dívidas com credores financeiros, como bancos e detentores de títulos da dívida da empresa no Brasil e exterior, e não afeta pagamentos a fornecedores, funcionários ou parceiros operacionais.

Segundo a empresa, o pedido já conta com apoio de quase 40% dos credores com valores a receber. Com o pedido oficializado junto à Justiça de São Paulo, a companhia terá período de 90 dias, durante o qual o pagamento de juros e principal das dívidas abrangidas fica suspenso. Para que o plano seja homologado e passe a valer para todos os credores da classe, a Raízen precisa atingir o quórum mínimo de 50% mais um dos créditos totais.

A crise financeira da companhia foi agravada por uma combinação de juros elevados, queima de caixa recorrente e a deterioração do cenário macroeconômico, especialmente na Argentina. Nos últimos três trimestres, a Raízen acumulou prejuízos de R$ 19,8 bilhões, o que levou as principais agências de risco (Moody’s, S&P e Fitch) a retirarem o grau de investimento da empresa nas semanas que antecederam o pedido.

O plano de reestruturação proposto inclui diversas frentes para reforçar o balanço. Entre as medidas previstas estão um aporte de capital de R$ 4 bilhões – sendo R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de Rubens Ometto (via Aguassanta) -, a conversão de parte da dívida em ações e o alongamento de prazos de pagamento. Há também a possibilidade de venda de ativos não estratégicos e segregados, como as operações na Argentina, avaliadas em cerca de US$ 1 bilhão.

Maior recuperação extrajudicial da história do Brasil

A magnitude deste processo torna-se ainda mais evidente quando comparada ao histórico recente de insolvências no Brasil. Com um passivo de R$ 65 bilhões, o caso da Raízen isola-se no topo do ranking de recuperações extrajudiciais, apresentando um montante mais de 14 vezes superior ao segundo colocado da lista, o GPA (Pão de Açúcar), que registrou pedido semelhante com uma dívida de R$ 4,5 bilhões.

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