A Câmara Municipal de Fortaleza vai pagar R$ 3,95 milhões ao Cetrede (Fundação de Apoio à Cultura, à Pesquisa e ao Desenvolvimento Institucional, Científico e Tecnológico) para realizar um levantamento junto à população, com o objetivo de identificar suas preferências em relação às políticas públicas e à ampliação de equipamentos na cidade. O contrato foi firmado sem licitação e representa um custo mensal de R$ 330 mil aos cofres públicos, com dispensa autorizada pelo diretor-geral da Câmara, Emanuel Ângelo, considerado homem de confiança do presidente Leo Couto.
Em documento disponível no portal da transparência do Legislativo municipal, a dispensa foi justificada pelo fato de se tratar de uma entidade com finalidade estatutária de caráter educacional, científico e cultural, sem fins econômicos, enquadrando-se nas possibilidades previstas na Constituição Federal. Ainda segundo o portal, o Cetrede ficará responsável pela “coleta e análise de dados estratégicos que subsidiem as atividades legislativas, fiscalizadoras e de planejamento da Câmara Municipal”.
“Todos os vereadores se nortearão através desses números que o observatório de Fortaleza vai disponibilizar para eles. Então, se você quiser ter uma areninha lá no Pirambu, nós vamos ter os dados para saber se realmente é uma areninha e não é uma creche que a população quer”, afirmou o presidente da Casa, Leo Couto (PSB). Entretanto, a decisão sobre a construção de qualquer equipamento público cabe exclusivamente ao Poder Executivo, não à Câmara.
Em 2025, primeiro ano da gestão do prefeito Evandro Leitão (PT) em Fortaleza e também de Leo Couto à frente da Câmara, o Legislativo municipal votou matérias importantes para o planejamento da cidade, como o Plano Diretor, válido pelos próximos dez anos, e o Plano Plurianual, que prevê orçamento e prioridades para 2026 a 2029. Apesar disso, a coleta dos dados e sua disponibilização ficaram para 2026, ano eleitoral em que boa parte dos vereadores disputam vagas na Câmara Federal, além da reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), que foi derrotado em Fortaleza nas eleições de 2022.
Manifesto
Por meio de nota, a Câmara de Fortaleza afirmou que a Zona de Observatório e Informação “não possui qualquer finalidade eleitoral. Os dados utilizados são públicos, abertos e acessíveis a toda a sociedade. O contrato tem duração de 12 meses e está voltado exclusivamente ao fortalecimento da atividade legislativa, da transparência e da produção de conhecimento sobre a cidade, para implementação de políticas públicas de forma mais assertiva”.
A instituição reforça ainda que os relatórios do Cetrede serão automaticamente disponibilizados na plataforma assim que estiverem hospedados, ficando acessíveis a todos.
Ainda segundo a nota, o início do contrato em novembro de 2025 impossibilitou que os dados fossem utilizados nos debates do Plano Diretor, da Lei Orçamentária e do Plano Plurianual, “uma vez que o desenvolvimento da ferramenta foi possível somente após a contratação”. A Fundação Cetrede é presidida atualmente por Francisco José Rabelo do Amaral, que comandou a Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece) por quase dois anos, entre 2021 e 2022, no final do governo Camilo Santana.






