O novo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano (União-PB), transferiu três empresas das quais era dono para uma laranja e ex-assessora parlamentar do pai dele.

A aliada, Soraya Rouse Santos Araujo, de 43 anos, ganhava pouco mais de dois salários mínimos por mês (R$ 3.529,86) como assessora, mora em uma casa simples em João Pessoa e mantém dificuldades para pagar dívidas e até o IPTU da própria residência. Do dia para a noite, contudo, tornou-se sócia-administradora de três empresas – com capital social de R$ 400 mil – que pertenciam a Gustavo Feliciano, incluindo uma instituição de ensino e duas construtoras que devem mais de R$ 500 mil à União.

As transferências da União de Ensino Superior da Paraíba Ltda (UniPB), da Sunset Business e da GCF Construções e Empreendimentos Imobiliários Ltda ocorreram sucessivamente em dezembro passado, mês em que Gustavo Feliciano se tornou ministro do Turismo.

Gustavo é filho do deputado federal Damião Feliciano (União-PB), para quem Soraya Rouse trabalhou até a última quinta-feira (22/1).

Os “negócios” entre o ministro do Turismo e a ex-assessora

Documentos obtidos pela coluna mostram que Gustavo Feliciano declarou à Junta Comercial da Paraíba (Jucep-PB) ter vendido a Sunset Business e a GCF Construções para Soraya Rouse por R$ 100 mil cada. Esse montante corresponde ao pagamento de todas as cotas desses empreendimentos ligados ao ramo da construção.

Há indícios de que ambas as empresas, localizadas na Paraíba, são de fachada e continuam ligadas ao ministro do Turismo. Isso porque os endereços registrados na Receita Federal não apontam para o funcionamento de qualquer tipo de companhia. Nenhuma delas possui site ou redes sociais próprios – e os rastros digitais são escassos. Além disso, ambas as empresas mantêm e-mails pessoais de Gustavo Feliciano no cadastro, mesmo após a suposta “venda”.

Outra certidão registra o repasse das 200 mil cotas da UniPB. O documento, porém, não deixa claro se Soraya Rouse desembolsou o valor ou se Gustavo Feliciano apenas lhe transferiu a empresa.

“O sócio cedente declara ter recebido todos os seus direitos e haveres nada tendo a reclamar no futuro seja a que título for”, diz trecho do documento.

A instituição de ensino – associada a diversos processos judiciais, inclusive trabalhistas – consta como mantenedora da Faculdade de Ciências e Tecnologia de Natal (Faciten) e obteve mais de R$ 5,2 milhões do governo federal de fevereiro de 2014 a outubro de 2021 para bancar o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies).

A UniPB deve mais de R$ 333,9 mil à União, segundo site da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), conforme apresenta o jornal O Globo. Assim como as duas supostas empresas de fachada, a UniPB não dispõe de site ou de rede social no ar, e a suposta sede se localiza numa casa.

Já a Faciten, localizada em Natal (RN), perdeu o credenciamento no Ministério da Educação (MEC) no fim do ano passado. A conta no Instagram, por sua vez, não recebe atualização desde setembro de 2019.

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