Uma solução política para o caso do Banco Master pode minar a credibilidade do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e afastar investidores estrangeiros. O cenário elevaria a insegurança jurídica, restringiria a oferta de crédito e pressionaria os juros para cima — num momento em que o Banco Mundial já reduziu a previsão de crescimento do Brasil de 2,3% para 2% em 2026.

Apesar de especialistas avaliem esse cenário como menos provável, sinais recentes acendem o alerta. A nomeação de Oto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) — com histórico de decisões favoráveis ao Master — e movimentos no Supremo Tribunal Federal (STF) indicam forte ingerência político-jurídica.

O ministro Alexandre de Moraes abriu inquérito sobre vazamento de dados enquanto mantinha vínculos contratuais com o banco por meio do escritório de sua esposa. Já o ministro Dias Toffoli decretou sigilo total sobre o caso e centralizou todas as diligências no STF.

Em mais uma atitude controversa, na quarta-feira (14), o ministro relator do caso no STF, Dias Toffoli, afastou da Polícia Federal as provas recolhidas durante a segunda fase da operação Compliance Zero, comprometendo as investigações sobre as fraudes do Master.

Inicialmente, o magistrado decretou que celulares, computadores e documentos apreendidos fossem “lacrados” e “acautelados” no STF, sob sua guarda. Após críticas, Toffoli recuou na tarde do mesmo dia, determinando que as provas deveriam ficar com a PF. À noite, mudou novamente suas ordens, encaminhando os bens para a Procuradoria-Geral da República.

Se as decisões jurídico-políticas avançam por um lado, por outro, as técnicas também. Nesta quinta-feira (15), o Banco Central decretou a liquidação da CBSF DTVM, ex-Reag, gestora investigada na operação Carbono Oculto por possível lavagem de dinheiro para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A gestora foi vinculada às investigações do caso Master, em um esquema de fraudes estimado em R$ 11,5 bilhões.

Luis Miguel Mas Santacreu, analista sênior de instituições financeiras da Austin Rating, avalia que reverter a liquidação técnica do Banco Central seria “altamente negativo”. A decisão afastaria investidores estrangeiros e poderia levar o Fundo Monetário Internacional (FMI) a emitir um alerta oficial sobre o Brasil. “O país é integrante do sistema financeiro mundial. Qualquer questionamento sobre os ressarcimentos via Fundo Garantidor de Créditos (FGC) abala a credibilidade”, afirma.

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