Augusto Ferreira Lima, preso na operação Compliance Zero da PF (Polícia Federal) na 3ª feira (18), tem sua origem empresarial em uma privatização de 2018 na Bahia. Foi realizada pelo então governador Rui Costa (PT), atual ministro-chefe da Casa Civil do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Economista, Lima comprou em 2018 a Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), do governo estadual. O negócio incluiu a rede supermercados Cesta do Povo e um cartão de pagamentos, o Credicesta. Ele pagou R$ 15 milhões no leilão e ficou com as dívidas da Ebal. Havia sido a 3ª tentativa de privatização realizada por Costa.

Lima tem relações com vários políticos, incluindo Rui Costa e o senador Jaques Wagner (PT-BA). Também é próximo de pessoas do lado oposto do espectro político, como o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, vice-presidente do União Brasil.

Lima casou-se em janeiro de 2024 com Flávia Peres. Ela havia sido eleita deputada pelo Distrito Federal em 2018 com o nome de urna Flávia Arruda. Era do PR, que virou PL. Foi ministra de 2021 a 2022 da Secretaria de Governo na gestão de Jair Bolsonaro (PL). Tentou ser eleita senadora em 2022. Não conseguiu.

CRESCIMENTO COM CONSIGNADO

Lima manteve as lojas do Cesta do Povo na Bahia a partir de 2019, mas dedicou atenção especial ao cartão. Mudou a marca para Credcesta e passou a oferecer empréstimos consignados aos funcionários públicos por meio do cartão.

Houve ajuda do governo de Rui Costa para o crescimento do uso do Credcesta. O site RH Bahia, da área de recursos humanos do governo do Estado, informou em postagem de janeiro de 2019 que novos cartões estavam sendo distribuídos a todos sem que fosse necessário pedir. Só foram ativados os cartões de quem mostrou interesse.

Em nota, a defesa do empresário afirmou que as investigações contra o Banco Master são “posteriores” à sua saída da instituição. Afirma também que ele que tem um “histórico ilibado” e “reconhecido no mercado financeiro”.

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