Os Centros de Atenção Psicossocial de Fortaleza (Caps) são importantes portas de entrada para o acolhimento e tratamento de problemas de saúde mental da população. Contudo, as estruturas ainda enfrentam problemas, como a deterioração ou inadequação de prédios, a falta de medicações e a demora na marcação de consultas. A reportagem do Diário do Nordeste percorreu alguns Centros da cidade na manhã desta terça-feira (21). No CAPS Geral IV, na Av. Borges de Melo, no bairro Jardim América, uma dona de casa de 35 anos relatou as dificuldades para conseguir o medicamento risperidona para o esposo, de 58 anos. Ela acrescenta que o esposo nunca realizou um atendimento psicológico, por falta de vaga. “É um psicólogo para atender praticamente a população inteira”, diz.

“Já tá com mais de dois meses que a gente não consegue o remédio e tem que comprar, porque não pode ficar nessa situação”, ressalta. O antipsicótico é usado para diversos tratamentos psiquiátricos, como esquizofrenia, transtorno bipolar e Transtorno do Espectro Atenção e Hiperatividade (TDAH).

A cada três meses, o esposo dela vai até o local para renovar a receita e realizar acompanhamento com o psiquiatra. “Tem também as terapias que ele faz aqui, toda semana ele vem para os grupos. Porque psicólogo para atendimento individual não tem. Então, geralmente são esses grupos”, afirma.

Essa falta de medicamento também é compartilhada por Benedita Sousa, de 58 anos. Ela acompanha o filho diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e utiliza o risperidona e fluoxetina. Além do tratamento psiquiátrico no CAPS, o jovem de 25 anos é acompanhado na Policlínica do Passaré por um neurologista.

“Estou na fila de espera com ele faz anos para um atendimento com fonoaudióloga e terapia ocupacional. Não consegui, é muito difícil”, afirma.

No Caps AD II Dr. José Glauco Bezerra Lobo, no bairro Cidade 2000, uma dona de casa de 69 anos, que preferiu não ser identificada, detalha que há poucos profissionais para atender à demanda de pacientes. O local, assim como outros Centros de Fortaleza, está em reforma há, pelo menos, 15 dias.

Durante a visita, outros pacientes que precisam ficar no local sendo observados relataram incômodo com o barulho e a poeira da obra. Alguns tentavam ler, mas eram atrapalhados pelos ruídos das máquinas.

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