Na tarde desta segunda-feira (13), comerciantes da Avenida Beira-Mar, em Fortaleza, realizaram um protesto contra as novas regras de funcionamento impostas pela Prefeitura para o reordenamento do comércio na orla. A manifestação, pacífica, bloqueou duas faixas da Avenida Historiador Raimundo Girão, na altura do aterro da Praia de Iracema, e causou um longo engarrafamento. Os manifestantes utilizaram cartazes e apitos para expressar insatisfação com a medida que muda os turnos de funcionamento dos permissionários.

A nova norma passou a valer oficialmente hoje e estabelece dois turnos fixos para os trabalhadores do chamado “Trecho 1” da Beira-Mar — que compreende o espaço entre as ruas João Cordeiro e Ildefonso Albano. A partir de agora, os comerciantes poderão atuar apenas das 5h às 16h30 ou das 17h à meia-noite. Segundo a Prefeitura, a mudança tem como objetivo organizar o espaço público e melhorar a circulação de pessoas e veículos na região.

No entanto, para muitos trabalhadores, a nova divisão de horários inviabiliza suas atividades. Brisa Mar, presidente da Associação dos Permissionários da Avenida Beira-Mar, afirmou que a medida não foi construída com diálogo e ignora as especificidades de cada grupo de comerciantes. “Não tem como quem vende lanche trabalhar das 5h da manhã ao meio-dia. As pessoas precisam preparar os alimentos, cuidar dos filhos, e esse horário não é comercialmente viável”, destacou.

Segundo os permissionários, não houve uma reunião prévia com o secretário responsável pelo reordenamento e a medida foi implementada sem planejamento adequado. “O que esperamos com esse protesto é um diálogo real, uma reunião de verdade, não só decisões unilaterais. Queremos que o secretário nos escute e reconsidere esse modelo que prejudica tantas famílias”, disse Brisa.

A Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) e a Guarda Municipal acompanharam o protesto, que ocorreu de forma pacífica e sem registros de confronto. Mesmo assim, o bloqueio das vias causou transtornos ao trânsito da região, um dos pontos mais movimentados da capital cearense.

A Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria Regional, afirmou que os permissionários foram recebidos individualmente e tiveram acesso a uma equipe multidisciplinar composta por psicólogos, assistentes sociais e consultores de empreendedorismo. O secretário Márcio Martins destacou que foi reativado um ponto de apoio na orla para orientar e acompanhar os comerciantes durante a transição.

Apesar do apoio técnico anunciado, muitos trabalhadores afirmam que a medida não resolve o principal problema: a inviabilidade comercial dos horários definidos. “Essa mudança pode até ter suporte, mas o problema é que não tem cliente de manhã cedo para comprar lanche ou artesanato. Como vamos sustentar nossas famílias assim?”, questionou um dos manifestantes durante o protesto.

A expectativa dos comerciantes agora é que uma nova reunião com representantes da Prefeitura seja marcada para reavaliar os horários de funcionamento. Eles reivindicam mais diálogo e um reordenamento que atenda tanto às necessidades da cidade quanto às condições reais de trabalho de quem depende da Beira-Mar para sobreviver.

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