O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), determinou nesta quarta-feira (24) o arquivamento da proposta de emenda à Constituição (PEC 3/21) que restringia investigações contra parlamentares. Mais cedo, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) rejeitou o texto por unanimidade. Alcolumbre afirmou que o regimento interno prevê o arquivamento de propostas que tenham sido descartadas por unanimidade na CCJ por ato da presidência, sem a necessidade de deliberação no plenário.

O presidente do Senado agradeceu ao presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), destacando que a tramitação célere não teve “atropelos” ou “invenções”.

A Câmara aprovou a PEC, no último dia 16, em dois turnos. No entanto, a proposta enfrentou forte rejeição da população e foi um motores das manifestações convocada pela esquerda no último domingo (21). Diante da pressão, tanto o presidente do colegiado quanto o relator, Alessandre Vieira (MDB-SE), afirmaram que o texto seria “enterrado” no Senado.

“Com serenidade, a comissão concluiu com rapidez a votação da matéria no dia de hoje. Com coragem, repito, com altivez e com serenidade de enfrentar um tema que tem naturalmente mobilizado a sociedade brasileira, mas sobretudo o Parlamento. Isso é o que nos cabe enquanto legisladores brasileiros”, enfatizou Alcolumbre.

No parecer, Vieira considerou que o texto representava um “golpe fatal” na legitimidade da Câmara e do Senado e poderia tornar o Congresso em “abrigo seguro para criminosos de todos os tipos”.

“A presente PEC teria o real objetivo de proteger autores de crimes graves, como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, o que configura claro desvio de finalidade e, consequentemente, inconstitucionalidade”, disse o relator.

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