O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou estar disposto a “ir às últimas consequências” para afastar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), do cargo. “Estou disposto a ir às últimas consequências para retirar esse psicopata do poder. Se depender de mim, a gente vai continuar aqui, dobrando a aposta até que a pressão seja insustentável e as pessoas que sustentam Moraes larguem a mão dele para que ele vá sozinho para o abismo”, disse Eduardo em entrevista à BBC Brasil publicada nesta quinta (14).

Eduardo está em Washington, capital dos Estados Unidos, com o jornalista Paulo Figueiredo desde quarta (13/8) para encontros com representantes do governo de Donald Trump. O objetivo é articular novas sanções contra autoridades brasileiras que eles veem como responsáveis por arbitrariedades na condução do processo de Bolsonaro.

duardo Bolsonaro afirma que Trump tem diversas opções na mesa para aplicar mais sanções, como a extensão da Lei Magnitsky imposta a Moraes recentemente, a retirada de vistos e outras medidas como ferramentas de pressão. São ações para, na visão dele, “tentar fazer com que o Brasil saia dessa crise institucional”.

O parlamentar também não descartou que sanções possam atingir o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), caso não avancem com o projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e com o processo de impeachment de Moraes.

“Se no futuro nada for feito, talvez aí a gente tenha também o Alcolumbre e o Hugo Motta figurando nessa posição. Eu sei que é o seguinte: eles já estão no radar e as autoridades americanas têm uma clara visão do que está acontecendo no Brasil”, declarou.

Um pouco mais cedo, Motta afirmou que não há ambiente na Câmara para aprovar uma anistia ampla, geral e irrestrita como a pedida pela oposição. No entanto, defendeu que uma proposta alternativa poderia ser discutida em diálogo com os poderes Executivo e Judiciário, principalmente a revisão das penas aos condenados que tiveram participação menor na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília.

Eduardo Bolsonaro ainda considerou as acusações contra ele por atuar nos Estados Unidos como “fantasiosas”, e defendeu que o Brasil suporte os impactos das sanções com vistas à liberdade. Ele é investigado pelo STF por supostos crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação e abolição violenta do Estado democrático de direito.

“O Brasil está se comportando mais como um país parecido com a Venezuela do que com os Estados Unidos. Uma ditadura merece sanção. Não estou preocupado com cálculo eleitoral ou popularidade. Estou preocupado com a liberdade do meu país e a liberdade vem antes da economia”, pontuou.

Para o parlamentar, Moraes “se comporta como um mafioso”, em que ele diz não entender “que uma pessoa dessas seja merecedora de estar na cadeira do STF e siga dando as cartas no Brasil. Um juiz está fazendo todo o Brasil de refém”. “Se Alexandre de Moraes for isolado, o Brasil vai poder retornar a ter harmonia entre os poderes”, completou.

COMENTAR