Preso em 23 de maio passado, o cantor carioca Francisco Anderson Mendes, o MC Dym, afirmou, em depoimento à Polícia Civil, que recebia entre R$ 2 e 3 mil para compor músicas em apologia à atuação da facção criminosa Comando Vermelho (CV) em Itarema, município da Região Norte do Estado. A informação consta na denúncia ofertada pelo Ministério Público Estadual (MPCE) à Justiça na última quarta-feira, 18, referente à operação Nocaute II. Francisco Anderson e outras 31 pessoas foram acusadas pelo MP de envolvimento com o CV, além de outros crimes, como tráfico de drogas.

A peça acusatória é baseada em uma investigação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), que extraiu dados do celular de Matheus Rychas da Silva Martins, de 28 anos, preso em junho de 2024.

Ele, que é conhecido pelos apelidos de Zequinha, Esquizofrênico e Sombra, é apontado como tendo posição de comando no CV no bairro Couto Fernandes e em Itarema.

Entre o material encontrado no celular de Matheus está uma conversa dele com Francisco Anderson, datada de dezembro de 2023. Matheus aparece encomendando um funk ao cantor para celebrar o domínio da facção em cinco bairros de Itarema.

Matheus chega a dar algumas orientações ao cantor sobre o que deveria constar na música: “Ai, Dym, pega a visão: O nome da cidade lá é Itarema. Ai lá tem cinco bairros, cinco bairros que já é nosso nós tomou, entendeu?”.

Matheus ainda pediu que a música contivesse “muito barulho de tiro” e mencionasse “reportagens que falam acerca de onda de homicídio em Itarema”. A música foi publicada no Youtube, onde teve mais de 100 mil acessos.

Consta em um trecho da música: “É nós que tá, é nós que predominamos no complexo de Itarema. Na relíquia do magnata, é nós que treme tudo. É que o plantão faz a ronda, bandeira vermelha, as bocas vende a vontade, crime rola a noite inteira. Tem vários fuzil, glock de pentão, poder paralelo, expandindo a facção” (Sic).

Em depoimento, Francisco Anderson negou ter envolvimento com o CV. Ele confirmou já ter composto músicas enaltecendo a facção, mas ressaltou que só fazia os funks por dinheiro e que deixou de fazer “funk proibidão” e que, atualmente, só faz “funk consciente”.

Ele chegou a dizer que foi alertado por seu advogado que havia um funk de sua autoria no Youtube que “poderia dar problema”, mas ele afirmou que “nem lembra que música foi essa e (que) depois que a música vai para rede de internet não tem mais controle sobre ela”.

Francisco Anderson ainda afirmou que o MC Fabuloso era o seu empresário, ou seja, Alexandre Magno Rodrigues Vieira, preso em 2020, no município de Magé, no Rio de Janeiro, em uma outra investigação da Draco.

Além de Matheus, um outro cantor foi preso na operação Nocaute II: Carlos Eduardo de Almeida Pires, conhecido como MC Dick. “Embora o denunciado CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA PIRES, conhecido como ‘MC DICK’, não figure como interlocutor nas conversas analisadas, observa-se que as letras de suas músicas promovem o crime organizado, afirmou o MPCE.

Fonte: O Povo

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